Couro: da pele em bruto à mala, produção de couro e sustentabilidade

As peles passam por um processo chamado curtimenta para se transformarem em couro. Este melhora a resistência, a flexibilidade e a durabilidade, fornecendo material pronto para a produção de uma grande variedade de produtos. Os curtumes transformam peles em couro há quase 400.000 anos. Hoje, as novas tecnologias estão a reduzir drasticamente o uso de água e de produtos químicos, garantindo que o couro é não só um produto natural, mas também mais ecológico.

Aproximadamente 80% de todo o couro produzido no mundo é atualmente curtido com crómio III, um metal naturalmente presente na água potável*. Os sais de crómio III são utilizados para tornar os couros mais resistentes, impermeáveis ​​e fáceis de trabalhar. Os sais são removidos dos couros curtidos antes de a água residual ser limpa e processada num procedimento relativamente rápido, que geralmente demora poucos dias a ser concluído.

A curtimenta vegetal é um processo tradicional. Utiliza materiais naturais, como casca de pinheiro ou de carvalho, juntamente com gorduras, em banhos onde os couros são mergulhados repetidamente. Um processo mais longo, que demora entre 20 dias a um ano, produz um couro único que se pode moldar, alongar e que é respirável. Tanto a curtimenta com crómio III como a curtimenta vegetal envolvem o uso de produtos químicos. Uma vez que os produtos químicos e os processos de curtimenta são diferentes, cada um requer abordagens diferentes para garantir que os materiais são obtidos adequadamente e que a limpeza e a eliminação das águas residuais respeitam o ambiente.

Após a curtimenta, e para criar produtos duráveis ​​e bonitos que resistam ao teste do tempo, o couro pode ser polido e/ou tingido. O couro curtido ao cromo tende a ser mais macio e flexível do que o couro curtido a vegetal, sendo, por isso, mais adequado para calçado e vestuário. O couro curtido a vegetal é mais adequado para selas, arreios e marroquinarias.

A indústria do couro está empenhada em reduzir o seu impacto ambiental resultante da utilização de água e de produtos químicos naturais e processados. O grupo independente Leather Working Group atribui aos curtumes os estatutos de Ouro, Prata, Bronze ou Auditado, avaliando utilizando critérios de avaliação desenvolvidos com a WWF e a Greenpeace e em conjunto com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Isto permite aos fabricantes demonstrar as melhores práticas e incentiva a melhoria contínua.

O uso de água na produção de couro caiu rapidamente, diminuindo 35% em apenas 25 anos, e esta tendência mantém-se. São realizados inquéritos detalhados em combinação com parceiros independentes para recolher dados atualizados sobre o desempenho ambiental e a pegada de carbono do processo de produção, bem como avaliações do ciclo de vida completo para um cabaz de artigos de couro.

A longa vida útil dos produtos de couro deve ser tida em conta ao avaliar os seus impactos ambientais – o couro produz artigos que resistem ao teste do tempo.*É importante referir que o crómio (III) é muito diferente do crómio (VI), sendo que este último nunca é utilizado na produção de couro. O crómio (III) é um elemento essencial para os seres humanos, mas necessita de ser gerido em condições adequadas, *É importante referir que o crómio (III) é muito diferente do crómio (VI), sendo que este último nunca é utilizado na produção de couro. O crómio (III) é um elemento essencial para os seres humanos, mas necessita de ser gerido em condições adequadas, como todos os produtos químicos. O crómio (VI) é tóxico e pode causar problemas respiratórios e aumentar o risco de cancro do pulmão.

Tradução livre de Real Leather. Stay Different.

31 de março de 2026